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Crónicas do Chão Salgado

resistir e criar, por mais que nos salguem o chão dos dias | crónicas, memoirs, & leituras

Crónicas do Chão Salgado

resistir e criar, por mais que nos salguem o chão dos dias | crónicas, memoirs, & leituras

quando dói o primeiro domingo de maio

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A maior das solidões é a ausência do único amor incondicional. Da palavra que temos como certa, do abraço que sabemos sonhado quando estamos longe.
Perder os que estiveram connosco desde o início marca o envelhecer. É a barreira que não queremos passar, a linha que desejaríamos não cruzar.
Como um sonho, podemos perdê-los dum dia para o outro ou, como a esperança, podemos perdê-los lentamente. O luto vai-se fazendo devagarinho, em cada memória que é esquecida; a dor vai-se instalando em cada relato distante da realidade e, por isso, longe de nós num afastamento que se sente como físico.
Ir dizendo adeus a alguém que se ama tanto, ainda em vida, é a solidão a crescer como um espinho que se vai enterrando na carne.
O corpo humano vive, muitas vezes além da capacidade da razão o acompanhar. E não me parece que seja bom...
 
 

retomar a vida nas mãos

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Retomar a vida nas mãos. Retomar Sábados e Domingos sem um vidro pelo meio. Dar férias às rotinas de viver aprisionada, na esperança de que sejam um adeus definitivo.
Voltar a viver o que me torna aquilo que sou e deixar de ser pela metade. Redescobrir como sou tão isto. Estes prazeres, estas manhãs hedonistas de sol na cara, mão na mão e sair por aí. A conversa com os amigos de longe que já posso ter perto e como são os seus risos, ah, os seus risos, dos mais ternos dos sons!
Isto é o meu normal. A vida como a quero viver. E aí vou eu, que não podendo ter de volta o tempo que me roubaram, não deixarei que este, agora, lhe faça companhia no poço das coisas invividas. Este, é para me lambuzar de prazer... 
 
foto: o mundo lá fora com tudo o que tem de maravilhoso. E não sejam das pessoas que não fotografam porque está lá um poste ou das que acham que o poste atrapalha. Retratem a vida, tirem partido do mundo como ele é! Com postes... :)