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Crónicas do Chão Salgado

resistir e criar, por mais que nos salguem o chão dos dias | crónicas, memoirs, & leituras

Crónicas do Chão Salgado

resistir e criar, por mais que nos salguem o chão dos dias | crónicas, memoirs, & leituras

Desafio da Abelha: descreve o teu estilo

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Vim dar um pezinho de letras e, claro, ver o que andava pela minha lista de “leituras”... e encontrei logo um Desafio da Abelha! Não resisiti e é respondendo ao desafio que aqui fica o meu estilo:

Cabelo... nem me lembro da cor original, está sempre com cores, o que se mantém é andar despenteado - quem tem caracóis, compreende-me...

Gosto de mistura de materiais e estilos diferentes, que contrastem. Não gosto de me vestir de “básicos”. Gosto de roupa estruturada e diferente.

Cores... não uso amarelo, roxo e suas variantes mas, de resto, não tenho problemas. Gosto especialmente de preto, vermelho, verde seco, bordeaux, castanho.

Só uso ténis para fazer caminhadas, não fazem parte do meu dia-a-dia. Adoro botins!

Amo lenços, echarpes e afins para pôr ao pescoço.

 

beijinhos a todos  e bons desafios  

 

Do Caos e da Ordem

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As flores abriram com se fosse primavera esperançadas por um calor súbito, uma ilusão de vida temporã. E depois o frio da noite, a quebrar as intenções do fruto.
 
O Homem negou-se o ritmo da natureza e agora, é Gaia que vagueia desnorteada entre os dias humanos, confusa e perdida.
 
O Caos é agora o senhor reinante enquanto os homens, teimosos na sua ilusão de poder, afundam na desordem a Terra e a Vida em todas as suas formas.
 
Mas do Caos nascerá a Ordem, que os ciclos acham sempre o caminho de se impor, são a única certeza. Embora nada tenhamos aprendido com eles, são a única certeza.
 
 
foto: a minha amiga Paulinha, qual Gaia perdida | fev 2022

Pecadora

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Gostava de não ser tão pecadora ou, pelo menos, de não me comprazer tanto no pecado. Não sei porquê… poderão ter sido os anos no lar de freiras, uma curiosidade insaciável ou uma vontade indomável de me situar nos antípodas da herança judaico-cristã.
 
Atualmente, começa-me a atormentar a consciência o pecado da gula. Não há força de vontade ou estratégia que o vença… e eu, que ultrapassei terríveis dores do coração e do corpo… não resisto a um queijo da serra, uma morcela de arroz ou uma pavlova de frutos silvestres. Ou um pastel de nata, whatever.
 
Transfiguro-me na imagem da fraqueza, sombra de mulher, criatura fraca e de vontade baça. E o universo alinha-se contra mim, trazendo de uma enfiada Natal, Ano Novo e o meu Aniversário. Não é que estas datas me digam alguma coisa, mas são pretexto para uma orgia alimentar aqui por casa... 
 
 

…e o amor prevalece

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Não sou de Inverno. Sou dos dias que se prolongam nas noites quentes, aquelas que aliviam o peito, depois do do respirar que pesou debaixo do braseiro do sol.
 
Mas esta estação que me apetecia passar a dormir, é a que mais me aproxima das memórias da minha mãe. As noites longas que ela amava por poder ficar, de bordado no colo, contando as histórias por trás de cada anexim, da Bruxa do Castelo e dos contrabandistas que tudo arriscavam…
 
E dou por mim também nestas noites infinitas, pintando com recordações e linha os panos que trouxe das gavetas dela. Da mãe com tantas histórias a caber no segurar do bastidor.
 
E o vento acalma, o Inverno aquenta… e o amor prevalece.

Natalis Solis Invicti

 

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Natalis Solis Invicti, a celebração romana do Sol que acolhemos nas noites mais longas do ano. O tempo que marca o reiniciar do caminho para a vida, a Natureza que ainda dorme mas de que antevemos a explosão, lá para Março... esta Natureza como alegoria da vida humana, nos seus tempos Invernais de dormência e recolhimento, ganhando energia para reclamar dias de alegria.

 
O Natal... adoro os pinheiros enfeitados desde os tempos imemoriais, celebração pagã, gritando com as suas ramagens perenes que a vida continua! Como amo também as florestas onde os pés se afundam nas folhas as caídas, terra nutrida de de onde despertam os cogumelos e onde, nos troncos caídos, o musgo corre. É dessas florestas que trago as ramagens para a minha coroa, à boa maneira romana, simbolizando a prosperidade e saúde. 
 
Natalis Solis Invicti! porque se, em qulquer Inverno ou vida a pausa e o recolhimento são necessários, o Sol é invencível... Felizes Saturnálias! 
 
Fotos: Serra de Sintra, 11 Dez. 2021 | Eu e JF

 

 

 

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A Fábrica de Cretinos Digitais | Michel Desmurget

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A Fábrica de Cretinos Digitais - Os perigos dos ecrãs para os nossos filhos, Michel Desmurget
 
“Simplesmente não há desculpa para o que estamos fazendo com nossos filhos e como estamos colocando em risco seu futuro e desenvolvimento".
Palavras de Desmurguet, a partir de investigações que mostram como “os nativos digitais são os primeiros filhos a terem um QI inferior ao dos pais. Após milhares de anos de evolução, o ser humano está agora a regredir em termos cognitivos e de capacidades intelectuais - por culpa da exposição excessiva a ecrãs.”
 
Estará na hora de refletir sobre estas questões, ao invés da eterna culpabilização da escola por não se adaptar às necessidades atuais dos alunos. De facto, a escola tem sido elástica e inclusiva, num permanente esforço de responder ao que se exige às novas gerações: executantes e técnicos.
 
O conhecimento, que estrutura verdadeiramente o espírito analítico e crítico das questões de fundo da existência humana, é desprezado a favor da resolução imediata de problemas, do afamado “trabalho de projeto”. A ironia é que o trabalho de projeto, a metodologia do design (até há formações a peso de ouro sobre isto pelas faculdades da moda) é do início do século passado e aplicada desde o 2º ciclo nas disciplinas que a sociedade pensa servirem para entreter : Educação Tecnológica, Educação Visual. Na verdade, por trás daquilo que pensam ser "um desenho" está todo um trabalho de aplicação da metodologia do projeto.
 
E, depois de cortarem a carga horária estas disciplinas, querem este método de trabalho aplicado a todo o sistema... com alguma resistência lúcida por parte de professores e pais mas, na sua maioria, com o beneplácito de quem almeja uma sociedade como convém a quem comanda: seres que não reflitam mas pensem em termos imediatos: técnicos ignorantes e obedientes.